segunda-feira, 29 de março de 2010

*Factores de Aprendizagem

Alguns factores que, de forma específica e decisiva, interferem na aprendizagem.

Inteligência e desenvolvimento

Saber o que é a inteligência é uma das questões que mais interessam e que mais tem dividido os psicólogos do nosso tempo. Diferem as concepções de inteligência. Contudo, qualquer uma delas faz da inteligência um agregado de várias capacidades cognitivas.

Conhecemos já o conceito de inteligência de Jean Piaget, bem como o papel que lhe atribui no sentido de permitir ao indivíduo uma eficaz adaptação ao meio. Sabemos também que este psicólogo enfatiza o desenvolvimento intelectual como uma resultante da interacção entre o sujeito e o meio, processada pelo jogo constante e equilibrado de assimilações e acomodações.

Desenvolvimento e aprendizagem são, pois, processos simultâneos e correlativos e, à medida que progride nas etapas, o indivíduo vai adquirindo novas estruturas cognitivas que lhe permitem aprendizagens cada vez mais complexas e, consequentemente, um equilíbrio mais alargado nas diversas circunstâncias.

De acordo com a tradição do mundo social e economicamente desenvolvido do Ocidente, o termo inteligência é usado para significar algo relacionado com as seguintes funções:

• Capacidade para lidar melhor com abstracções do que com objectos e situações concretas.

• Capacidade para aprender sobretudo palavras e símbolos.

• Capacidade para resolver problemas, ou seja, capacidade para lidar adequadamente com situações novas para o sujeito.

Este modo de conceber a inteligência está de acordo com o que se esperava da classe média de uma sociedade industrial que recebia instrução formal numa sala de aula de uma instituição chamada escola. Por isso, tal concepção está subjacente à elaboração e aplicação de testes de inteligência cujos resultados são expressos em termos de Idade Mental ou de Q. I.

Os itens dos testes de inteligência são muito próximos dos itens das aprendizagens escolares, pelo que, quando uma criança tem bons resultados em testes de inteligência, tem Q. I. elevado, tendo também bom rendimento escolar. Neste contexto, medir a inteligência ou medir a capacidade para aprender na escola são praticamente sinónimos.


Motivação

Ao referir experiências de aprendizagem com animais, vimos que a força que os impulsionava a agir e a aprender se situava ao nível de necessidades fisiológicas, como a fome ou a dor.

No homem, nem sempre se podem detectar os motivos que o incentivam a adquirir novas condutas ou a modificar as anteriores. O que sabemos é que a aprendizagem é facilitada quando o indivíduo se empenha no processo, procurando activamente atingir os objectivos que se propôs.

• Neste caso, diz-se que a motivação é intrínseca, o que quer dizer que o indivíduo aprende pela satisfação que lhe dá a própria aprendizagem.

• Quando o sujeito aprende porque há uma recompensa externa, a motivação é extrínseca e, geralmente, a aprendizagem toma-se mais custosa.

Se, ao estudar uma matéria, esta nos interessa, a motivação é intrínseca, pelo que aprendemos facilmente e lemos com agrado tudo o que com ela se relaciona. Se o assunto é para nós fastidioso e só o estudamos para passar no exame, então a motivação é extrínseca e a aprendizagem faz-se, como é óbvio, com maior dificuldade.

Quer se trate de motivação intrínseca ou extrínseca, ela não surge sempre com a mesma intensidade. Se o nível de intensidade é elevado, é de esperar que o sujeito aprenda bem. Contudo, a força exagerada da motivação pode desencadear estados de ansiedade capazes de prejudicar o ritmo de aprendizagem, ou até inibi-la por completo.
Em suma, um nível forte de motivação activa o indivíduo e concentra-o no trabalho. Um nível baixo ou excessivamente elevado dificulta ou impede a aprendizagem.


Aprendizagem anterior

As aprendizagens de conteúdos ou de processos podem condicionar positiva ou negativamente as novas aprendizagens.

Fala-se de transferência negativa sempre que, respostas aprendidas para determinados estímulos, e que tendem a ser repetidas quando surgem estímulos semelhantes, se constituem como obstáculos, retardando ou bloqueando as novas aprendizagens.

Quando os aviões começaram a ser utilizados, os aparelhos de comando eram colocados ora à direita, ora à esquerda, em cima ou em baixo, consoante os modelos ou preferências dos construtores. Isto levou a consequências funestas porque os efeitos da transferência negativa conduziam a enganos fatais por parte dos pilotos.
Para evitar estes inconvenientes, a localização do controlo na cabina passou a obedecer a critérios padronizados.

Se há casos em que a aprendizagem anterior dificulta as futuras aquisições, outros existem em que ela é facilitadora das novas aprendizagens. Fala-se, então, de transferência positiva.

Como exemplo, refira-se que uma pessoa que aprendeu a jogar ténis não terá grande dificuldade em aprender a jogar badmington ou pingue-pongue. Também uma pessoa que aprendeu latim terá facilidade em aprender italiano ou francês. É que a transferência das aprendizagens iniciais favorece as aprendizagens seguintes: no primeiro caso, devido à semelhança das respostas exigidas

Constituindo um fenómeno decorrente de outro já nosso conhecido, a generalização do estímulo, a transferência é um princípio fundamental no campo da educação. O que se aprende em dado nível de escolaridade funciona como um pré-requisito para aprendizagens de nível superior. Além disso, espera-se que o que se aprende na escola seja transferido para as tarefas a executar fora dela.


Factores sociais

Os pais, os professores e demais elementos da sociedade em que a criança nasce são responsáveis não só pelas suas aprendizagens escolares e profissionais, como também pela sua formação em geral, que inclui interesses, crenças, valores, atitudes e sentimentos de auto-confiança, auto-estima, segurança, aceitação e respeito pelos outros.

Inicialmente, as aprendizagens são feitas no seio da família, onde se inicia a estruturação das capacidades e competências que lhe permitirão prosseguir o desenvolvimento da sua personalidade.

Da família transita para a escola, onde terá de se inserir num sistema formal que tem subjacente uma filosofia educativa.
Sendo o jovem obrigado a permanecer na escola e integrar-se num sistema de educação definido em função dos interesses gerais da comunidade a que pertence, as aprendizagens que efectua são à partida socialmente condicionadas.

Estudos sobre o insucesso escolar têm evidenciado que, para além dos condicionalismos inerentes aos planos educativos, outros elementos interferem, condicionando a aprendizagem. Entre eles, contam-se os seguintes:

• Padrões culturais

• Valor atribuído pela sociedade à educação

• Nível socio-económico-cultural

• Domínio da língua materna

• Sistema escolar

• Expectativas dos pais

• Expectativas dos professores

• Expectativas dos alunos.






Métodos de aprendizagem

Algumas notas para se aprender melhor.


Aprendizagem espaçada e concentrada

O treino ou exercício implicado em qualquer aprendizagem pode ser concentrado ou espaçado no tempo.

• A aprendizagem concentrada faz-se de modo intensivo e sem paragens.

• A aprendizagem espaçada implica uma distribuição no tempo dos assuntos a reter, efectuando intervalos regulares entre as sessões de aprendizagem.

É variável o modo como os estudantes diversificam o tempo dedicado ao estudo. Alguns preferem a aprendizagem espaçada, distribuindo os conteúdos a fixar ao longo do tempo e, aos poucos, ir fazendo a retenção dos mesmos. Normalmente estabelecem um período de tempo que dedicam ao trabalho, mantendo diariamente a regularidade desse horário até prestarem as provas no fim do ano.

Outros, porém, dão-se bem com a aprendizagem concentrada, estudando apenas, com afinco e sem intervalos, próximo dos exames ou de outras provas de avaliação.

Há aspectos a considerar que explicam o sucesso desta metodologia de trabalho. Entre eles, a motivação e a curva do esquecimento.

De facto, quanto mais próximo está o objectivo, a prova de avaliação, maior é a predisposição para estudar. Por outro lado, um estudo concentrado em vésperas do teste utiliza melhor a curva do esquecimento: recordamos com mais facilidade o que foi aprendido há menos tempo. O que se aprende na véspera tem menos tempo para ser esquecido, pelo que o aluno pode obter bom resultado com menor quantidade de estudo. Porém, a fadiga física e psíquica constituem um risco para o estudante adepto do método concentrado.

Qual dos dois métodos conduzirá, então, a melhores resultados?

Os resultados destes dois tipos de aprendizagem não podem ser postos, de modo absoluto, em termos de eficácia ou não eficácia. A utilização de um ou de outro depende da pessoa que aprende, dos seus hábitos e daquilo que há para aprender.

• Numa primeira achega, podemos dizer que as experiências mostram claramente que, para uma eficaz e permanente retenção, a aprendizagem espaçada é a mais recomendável. Assim, para o estudante que se interessa por uma aprendizagem sólida e a longo prazo, esta forma de aprender é, certamente, a indicada.

As vantagens do método espaçado têm sido demonstradas em inúmeras situações, desde o aprender conteúdos com ou sem sentido, até à aquisição de habilidades motoras, passando pela aprendizagem escolar. Assim, para aprender a nadar, jogar ténis, andar de bicicleta ou de patins, conduzir automóvel ou escrever no computador, a aprendizagem espaçada dá mais rendimento. O mesmo se passa com estudos teóricos como o das línguas, da gramática e com a memorização de listas de palavras sem sentido.

• A aprendizagem concentrada tem-se revelado mais vantajosa em crianças de inteligência superior, enquanto as de quociente mais baixo beneficiam mais com uma prática espaçada. Também, quando se procura uma aprendizagem de conceitos ou a solução de problemas em que a resposta correcta obriga o sujeito a ensaiar uma multiplicidade de caminhos possíveis, a prática concentrada tem-se mostrado benéfica, por evitar a dispersão e o esquecimento das tentativas anteriores. Uma combinação da aprendizagem espaçada e concentrada é, provavelmente, a estratégia mais eficaz para passar nos exames: no início, usar a aprendizagem espaçada; na revisão final, usar a aprendizagem concentrada.

O conhecimento dos resultados da aprendizagem

O sujeito que se dedica a uma aprendizagem não está, desde o início, apto a executar a tarefa com toda a perfeição. Assim, o indivíduo que se inicia na utilização do computador passa por um longo processo de treino até obter rendimento. O mesmo se passa com o aprendiz de viola, com o desportista de tiro ao alvo ou com o estudante de psicologia.

Como conseguir maior rapidez no processo de aprendizagem? Como evitar, até, possíveis falhas ou incorrecções no modo de aprendizagem?

Isto consegue-se fornecendo ao aluno conhecimentos sobre a quantidade e sobre a qualidade do que aprendeu. A falta de feedback, ou seja, de informação retroactiva é, não raro, responsável pelos maus resultados obtidos pelos aprendizes.

Para que o feedback seja verdadeiramente eficaz, ele deve não apenas identificar as respostas erradas, mas também fornecer indicações correctas sobre o modo de resolver as questões. A eficácia do feedback depende também da frequência com que ocorre. Os feedback amiudados têm mais hipóteses de retirar ao aprendiz a possibilidade de repetir e interiorizar os erros que comete.

Inúmeras investigações que têm sido feitas sobre aprendizagens intelectuais e motoras provam que, quando o indivíduo conhece o nível que vai atingindo nas novas aquisições, o seu ritmo de aprendizagem acelera-se e as respostas aproximam-se mais rapidamente da perfeição desejada.

Aprendizagem total e aprendizagem parcial

Fala-se de aprendizagem total e de aprendizagem parcial a propósito do modo como são apresentados os conteúdos a aprender. Isto é, o aprendiz pode ser confrontado com o assunto na sua totalidade ou, diferentemente, este pode ser fragmentado e apresentado por partes.

Os psicólogos behavioristas, de inspiração atomista, consideram que as pessoas aprendem melhor quando as tarefas são divididas em parcelas pequenas e mais simples. Estes psicólogos inspiraram alguns métodos de aprendizagem, designadamente o método de ensino programado de que a seguir nos ocuparemos.
Os psicólogos cognitivistas assumem uma atitude gestaltista a este respeito, defendendo que a aprendizagem é facilitada quando as tarefas ou conteúdos são apresentados de uma forma global.
Quando um aluno compreende o modo como os conceitos se articulam, apreende a matéria como uma estrutura organizada e dotada de significado. Assim, ao estudar os aspectos parcelares, memoriza-os melhor porque compreende a relação que mantêm com o tema global.

Aprendizagem programada

De inspiração behaviorista, este método de aprendizagem foi criado por Skinner e a sua equipa, com base nos mecanismos inerentes ao condicionamento operante.

2 comentários:

  1. GOSTEI MUITO DA MATÉRIA, ERA O QUE PROCURAVA MESMO, ESTOU MUITO AGRADECIDA AO SITE.!!

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  2. Trata-se de um material necessário e bastante ilucidativo.

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